PROGRAMAÇÃO SUSPENSA

No seguimento das medidas preventivas adotadas pelo Município da Póvoa de Varzim para conter a propagação do novo Coronavírus (Covid-19) e consequente cancelamento de todas as atividades programadas para o Cine-Teatro Garrett, estão canceladas as sessões de cinema do Cineclube Octopus entre 11 de março e 3 de abril.

A programação do Cineclube Octopus prevista para o mês de março será oportunamente reagendada.

Informações ou dúvidas podem ser colocadas por e-mail para cineclube.octopus@gmail.com

A reagendar...

Quinta-feira | 21h45 | Cine-Teatro Garrett
Sessão #1507

Título original: Dylda

De: Kantemir Balagov
Com: Konstantin Balakirev, Andrey Bykov, Olga Dragunova
Género: Drama
Classificação: M/16
Outros dados: RUS, 2019, 130 min.


SINOPSE
Neste drama histórico realizado pelo jovem russo Kantemir Balagov, uma rapariga, Iya, regressa a Leningrado após o final da Segunda Grande Guerra, em 1945. Com ela, uma criança de três anos. Iya e Masha, outra jovem mulher, tentam sobreviver numa cidade confusa e totalmente devastada pela guerra.

Inspirado no livro “A Guerra Não Tem Rosto de Mulher” da autora Svetlana Aleksiévitch, vencedora de um Nobel da Literatura.


Prémios e Festivais:
Óscares 2020 - nomeado para Melhor Filme Internacional
Festival de Cannes (2019), na secção Un Certain Regard - Melhor Realizador e Prémio FIPRESCI
European Film Awards - Nomeado para Melhor Atriz
Lisbon & Estoril Film Festival 2019 - Melhor contribuição artística


The Guardian ★★★★★
Fotogramas ★★★★★
Caíman ★★★★★
Diário de Notícias ★★★★
RogerEbert ★★★★
Público ★★★★
Slant ★★★


Notas da Crítica:

«Obra prima. Surpreendente, raro e marcante» - The Guardian

«Profundamente interessante e impressionante» - Variety

«Excelentes interpretações. Brutal e afetuoso»  - Indiewire

«Imponente, e de inquestionável beleza» - Fotogramas

«Cativante» - Caíman



Seleção de crítica: por João Lopes, no Cinemax-RTP.

«O marketing dominante na quadra natalícia impôs a ideia (?) segundo a qual os filmes da época são obrigatoriamente infantis... Pois bem, o mínimo que se pode dizer de "Violeta" é que o público adulto tem à sua disposição um dos mais belos e complexos títulos lançados nos últimos meses no mercado português. É, além do mais, a confirmação do invulgar talento do russo Kantemir Balagov cujo filme anterior, "Tesnota/Closeness", ganhou a edição de 2017 do LEFFEST (nunca tendo chegado ao circuito das salas). 

Dir-se-ia que estamos perante uma derivação do clássico "filme de guerra", já que se trata de evocar memórias da vida em Leninegrado (actual São Petersburgo) em 1945, pouco depois do fim dos combates da Segunda Guerra Mundial. Mais do que uma crónica social, Balagov procura um registo interior, por assim dizer, secreto, acompanhando as atribulações de Iya e Masha, interpretadas pelas espantosas Viktoria Miroshnichenko e Vasilisa Perelygina, respectivamente.

Tudo o que acontece a Iya e Masha é vivido pelo próprio filme como matéria de cinema — veja-se, ou melhor, escute-se a ambiência sonora cada vez que a estabilidade de Iya parece ameaçada por um retorno a factos demasiado perturbantes, como se a própria personagem se ausentasse das imagens em que, ainda assim, a continuamos a ver. Mais do que um cinema de "retratos" psicológicos, esta é uma arte de sugerir as dimensões mais secretas da identidade humana.

Aos 28 anos de idade (nasceu em Nalchik, em 1991), e apenas estas duas longas-metragens, Balagov é um exemplo modelar de todo um movimento de retorno às premissas do realismo. Entenda-se: nada a ver com "naturalismo" ou "espontaneidade". Antes a consciência de que a visibilidade que o cinema concede arrasta um pressentimento do que permanece no espaço do invisível — filmar uma coisa e sugerir a outra, eis a pulsão realista.»





A reagendar...

Quinta-feira | 21h45 | Cine-Teatro Garrett
Sessão #1506

Título original: Little Women

De: Greta Gerwig
Com: Saoirse Ronan, Emma Watson, Timothée Chalamet, Florence Pugh, Eliza Scanlen, Laura Dern, James Norton, Meryl Streep, Louis Garrel, Chris Cooper
Género: Drama, Romance
Classificação: M/12
Outros dados: EUA, 2019, 134 min.


SINOPSE
As "Mulherzinhas" desta história são a intempestiva Jo, a conservadora Meg, a frágil Beth e a romântica Amy, que Marmee, a mãe, fica com a responsabilidade de educar quando o marido parte para combater na Guerra Civil Americana. A apoiá-la na educação das filhas, Marmee tem a seu lado a tia March. As duas vão acompanhando a passagem de cada uma delas para a vida adulta, fazendo com que entendam o verdadeiro significado de amor, virtude e emancipação, numa das épocas mais complexas da história dos EUA.

O romance intemporal de Louisa May Alcott que, desde a sua publicação em 1868, conquistou várias gerações de leitores, é novamente adaptado ao grande ecrã, desta vez pelas mãos da atriz e realizadora Greta Gerwig ("Lady Bird").

Prémios e Festivais:
Nomeado para 2 Globos de Ouro - Melhor Atriz em Drama e Melhor Banda Sonora

Nomeado para 6 Óscares – Melhor Filme, Melhor Atriz (Ronan), Melhor Atriz Secundária (Pugh), Melhor Argumento Adaptado e Melhor Banda Sonora – Vencedor de Melhor Guarda-roupa.

Nomeado para 5 BAFTA Awards - Melhor Atriz (Ronan), Melhor Atriz Secundária (Pugh), Melhor Argumento Adaptado e Melhor Banda Sonora - Vencedor de Melhor Guarda-roupa.

Diário de Notícias ★★★★
RogerEbert ★★★★
Time Out ★★★★
Observador ★★★★
Público ★★★★

Notas da Crítica:

«um filme de energia e de emoção arrebatadoras, autenticamente em estado de graça» - Jorge Mourinha, Público

Seleção de crítica: por João Lopes, no Cinemax-RTP.

«UMA VERDADE FEMININA

Muitas vezes adaptado ao cinema, o clássico de Louisa May Alcott reaparece numa versão realmente pensada para o século XXI: "Mulherzinhas", de Greta Gerwig, é um reencontro feliz com a arte melodramática.

A pergunta é, de uma só vez, formal e conceptual: como refazer, em cinema, neste nosso século XXI, o romance "Mulherzinhas", de Louisa May Alcott? E justifica-se não só porque se trata de um livro publicado em 1868, estranho à maior parte das atuais opções literárias dos grandes estúdios, mas também porque há todo um património de versões cinematográficas de "Mulherzinhas" que terá como pedra fundamental a produção de 1933, assinada por George Cukor.

Digamos, para simplificar, que na dupla condição de autora do argumento adaptado e responsável pela realização, Greta Gerwig contorna todos os clichés que pudessem envolver uma qualquer opção "revivalista". Mais do que isso: as suas luminosas "Mulherzinhas" são a ilustração muito clara (e apetece dizer: muito contundente) de uma arte narrativa que sabe pensar — e pensar-se — para o seu tempo, sem quebrar uma relação orgânica com a mais nobre tradição do melodrama cinematográfico.

As quatro irmãs March, vivendo com meios austeros no tempo da Guerra Civil Americana, surgem, assim, como um painel de comportamentos, pensamentos e emoções pontuado por uma questão nuclear: que significa ser mulher? Refazendo e, num certo sentido, contestando a linearidade factual do livro, Gerwig apresenta-nos, afinal, uma verdadeira demanda de identidade(s).

Jo, Meg, Amy e Beth vivem as alegrias e dramas de um tempo em que a sua condição vacila, ao mesmo tempo que lhes exige uma admirável capacidade de afirmação. Entenda-se: a descoberta/invenção de um discurso próprio que as demarque dos valores mais tradicionais que, eventualmente, podem limitar e delimitar a sua existência e, por fim, a verdade do feminino.

Além do mais, o filme de Gerwig revela o know how, visceralmente clássico, que atribui às singularidades dos actores — neste caso, das actrizes — uma função essencial de exposição de todas as convulsões e enigmas das personagens [vídeo de rodagem].»

Talvez seja inevitável referir com algum destaque a brilhante Saoirse Ronan, no papel de Jo, a "mulherzinha" que defende o seu desejo de ser escritora, mas importa não menosprezar as delicadas composições de Emma Watson, Florence Pugh e Eliza Scanlen (Meg, Amy e Beth, respectivamente). Sem esquecer, claro, a breve e primorosa participação de Meryl Streep no papel da tia velha, rabugenta e pragmática, numa palavra, sobrevivente.»