26 agosto 2021

Quinta-feira | 21h45 | Cine-Teatro Garrett

Sessão #1540


Quo Vadis, Aida?

Título original: Quo Vadis, Aida?


De: Jasmila Zbanic

Com: Jasna Djuricic, Izudin Bajrovic, Boris Ler

Género: Drama, Histórico, Guerra

Classificação: M/14

Outros dados: NOR/ALE/ROM/POL/HOL/FRA/Bósnia/Áustria/Turquia, 2020, 101 min.



SINOPSE

Bósnia, Julho de 1995. Aida Selmanagić (Jasna Djuricic) trabalha como tradutora para a ONU em Srebrenica. Quando uma unidade do Exército da República Sérvia ocupa a região, até aí considerada uma área de segurança sob a proteção das Nações Unidas, ela vê a própria família entre os milhares de pessoas que procuram proteção nos campos de refugiados. Como está presente em reuniões das equipas de manutenção de paz, Aida tem acesso a informações desanimadoras. Desesperada, tenta fazer o que pode para ajudar a comunidade e ainda mais para salvar os seus.


Em competição no Festival de Cinema de Veneza e nomeado para o Óscar de melhor filme internacional, um drama de guerra com assinatura de Jasmila Žbanić – responsável por “Filha da Guerra”, vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim, também sobre a Guerra dos Balcãs. A história, apesar de ficcional, tem como pano de fundo o massacre de Srebrenica quando, entre os dias 11 e 25 de julho de 1995, mais de 8300 bósnios muçulmanos (principalmente homens e rapazes) foram assassinados. (Fonte: CineCartaz)


Prémios e Festivais:

Óscares 2021 - Nomeado para Melhor Filme Internacional

Basta 2021 - Melhor Realizador e Filme de língua não inglesa

Festival de Veneza em 2020 - seleção oficial


Rotten Tomatoes - Classificação: 100%

IMDB Metascrore - 97


The New York Times ★★★★★

The Guardian ★★★★★

The Playlist ★★★★★ 

CineVue ★★★★★

Variety ★★★★★

IndieWire ★★★★★

Notas da Crítica:


«Uma obra de arte vital.» - IndieWire


«Deeply compelling, harrowing, and heartbreaking» - Variety


«Jasmila Zbanic cria um ambiente tenso e inquietante, sem violência gráfica. A realizadora joga com as emoções e provoca a indignação da plateia sem mostrar as atrocidades - tudo está presente a um nível mais profundo e subentendido.» - Inês Moreira Santos, Hoje Vi(vi) um Filme 


«’Quo Vadis, Aida?’ mostra os horrores do genocídio e a inação criminosa das Nações Unidas durante a Guerra Bósnia dos anos 90. Este devastador feito cinematográfico representa a Bósnia e Herzegovina na competição dos Óscares. A obra está entre os cinco nomeados na categoria de Melhor Filme Internacional e é, quiçá, o único concorrente capaz de destronar o favorito, ‘Druk’.» - Magazine-HD



Seleção de crítica: por Inês Moreira Santos, no Hoje Vi(vi) um Filme.


“Em Quo Vadis, Aida?, a realizadora Jasmila Zbanic recupera, 25 anos depois, o Massacre de Srebrenica, durante a Guerra da Bósnia, que matou cerca de 8000 homens e rapazes bósnios de origem muçulmana. 


Se, por um lado, o filme é o drama de uma tradutora da ONU que quer salvar a sua família, por outro, é uma crítica feroz aos responsáveis pelo genocídio, bem como à incapacidade das Nações Unidas de evitar tamanha tragédia.


Aida é mediadora naquela torre de babel improvisada. São poucos os que falam as duas línguas e a correria constante da protagonista faz-nos conhecer todos os cantos às instalações que acolhem alguns dos refugiados que fogem da violência - mas são muitos mais os que ficam ao portão. Tomada pelo desespero de salvar marido e filhos e colocá-los junto dela na aparente segurança da ONU, Aida faz o que pode para ajudar à comunicação entre militares e refugiados, traduzindo ordens e perguntas, com as quais muitas vezes não concorda.


A protagonista está rodeada de dilemas, pessoal e profissionalmente, e testemunha de perto os horrores e injustiças que se passam em seu redor. Aida personifica a nossa ira perante a impassividade das Nações Unidas e da comunidade internacional, incapazes de controlar a situação e com pouca vontade de ajudar os capacetes azuis no terreno. A facilidade e frieza com que o General Ratko Mladic controla a situação e define os termos do acordo que condenou milhares de bósnios à morte é revoltante. A zona "segura" da ONU revelou-se fatal para o destino trágico de milhares de refugiados.


Jasmila Zbanic cria um ambiente tenso e inquietante, sem violência gráfica. A realizadora joga com as emoções e provoca a indignação da plateia sem mostrar as atrocidades - tudo está presente a um nível mais profundo e subentendido.


Quo Vadis, Ainda? carrega uma revolta implícita e um apelo à união, contra guerras e genocídios.”



+Crítica: Diário de Notícias, c7nema, Magazine-HD, Público, Cenas de Cinema, CineVue, The Guardian, IndieWire, Variety.



19 agosto 2021

Quinta-feira | 21h45 | Cine-Teatro Garrett

Sessão #1539


Sweet Thing - Infância à Deriva

Título original: Sweet Thing


De: Alexandre Rockwell

Com: Lana Rockwell, Nico Rockwell, Will Patton

Género: Drama

Classificação: M/14

Outros dados: EUA, 2020, Cores, 91 min.



SINOPSE

A adolescente Billie e Nico, o seu irmão mais novo, têm problemas em casa do pai, que é alcoólico, e da mãe, que é negligente. Isso leva-os a fugirem e a tentarem encontrar um sítio onde possam estar melhor. É esta a premissa do regresso à realização de Alexandre Rockwell, nome importante do cinema independente norte-americano das décadas de 1980, 1990 e 2000 que já não filmava desde "Little Feet", de 2013. Tal como nesse filme anterior, "Sweet Thing" envolve a família de Rockwell, já que Lana e Nico Rockwell, os protagonistas, são seus filhos, sendo que a mãe, Karyn Parsons, também faz parte do elenco como mãe deles. (Fonte: CineCartaz)



Prémios e Festivais:

Festival de Berlim - Melhor Filme Generation Kplus

Festival da Cidade do Quebec - Melhor Filme 


Rotten Tomatoes - Classificação: 95%



Por Quentin Tarantino:


«É um dos mais poderosos novos filmes que vi em anos. Todo o filme tem alma, mas o facto de Alexandre Rockwell ter escolhido filmar em película de 16mm a preto-e-branco, dá-lhe uma essência divina. Mas é a interpretação da sua jovem protagonista Lana Rockwell que nos assombra quando o filme termina. A forma como ela carrega a sua dignidade aos ombros enquanto se movimenta precariamente através da inquietação extenuante que é a sua vida, é como ela transporta o filme e o espectador através do terreno de Rockwell.»



Site Oficial



Seleção de crítica: por João Lopes, no Cinemax-RTP.


Crónica a preto e branco, fábula a cores...


“Assim vai o cinema independente americano. Aliás, não generalizemos: assim vai um certo cinema independente dos EUA, enraizado na concepção de cada um dos seus projectos como uma aventura singular, por certo irrepetível, quer na sua dimensão técnica, quer enquanto aventura humana. Dito de outro modo: Alexander Rockwell apostou em rodar o seu "Sweet Thing - Infância à Deriva" a preto e branco, com uma câmara de 16mm, porventura assumindo-se como herdeiro das admiráveis convulsões dos anos 60/70 (Cassavetes?).


E, no entanto, há que dizer que este é um objeto nascido de um projeto genuíno, genuinamente familiar. Para retratar os dois irmãos, Billie e Nico, que vivem em ziguezague entre o pai e a mãe, Rockwell entregou os respetivos papéis aos seus filhos, respetivamente Lana e Nico Rockwell; sem esquecer que é a sua mulher, Karyn Parsons, que interpreta a personagem da mãe (com Will Patton, a repetir os tiques de sempre, na figura do pai).


De qualquer modo, "Sweet Thing" não é exactamente o estudo de uma família decomposta, antes uma crónica amarga e doce sobre a diferença entre o desencanto do dia a dia e a ânsia de um mundo alternativo, dir-se-ia um mundo de fábula. Há alguma vibração emocional nesse labirinto, sobretudo através da presença de Lana Rockwell. Para mais, neste caso, com o efeito retórico de algumas imagens a cores servirem para sugerir a vida "sonhada" dos protagonistas...”



+Crítica: MagazineHD-entrvistaMagSapo-Hugo Gomes, Público, RogerEbert, Film Movement, New York Times, Always Good Movies, Variety.



12 agosto 2021

Quinta-feira | 21h45 | Cine-Teatro Garrett

Sessão #1538


Um Lugar Silencioso 2

Título original: A Quiet Place Part II


De: John Krasinski

Com: John Krasinski, Cillian Murphy, Emily Blunt

Género: Terror

Classificação: M/14

Outros dados: EUA, 2020, Cores, 97 min.



SINOPSE

Num futuro não muito distante, a Terra foi invadida por perigosas criaturas que, embora cegas, possuem uma audição de extrema sensibilidade. Letais para qualquer ser vivo, caçam através do som. Após a morte do marido, Evelyn esforça-se por sobreviver com os dois filhos adolescentes e a sua bebé recém-nascida. Mas, agora, vão perceber que o seu pior inimigo não são os terríveis seres que os querem caçar, mas sim os humanos que, despojados de qualquer sentimento de compaixão, estão dispostos a tudo para se manterem vivos. 


Sequela do filme com o mesmo nome realizado em 2018, esta história pós-apocalíptica, novamente assinada pelo ator e realizador John Krasinski, tem Emily Blunt (mulher de Krasinski), Millicent Simmonds, Cillian Murphy e Djimon Hounsou como protagonistas. (Fonte: CineCartaz)


Prémios e Festivais:

Hollywood Critics Association - Melhor Atriz- Millicent Simmonds; Melhor Ator Secundário-Cillian Murphy 


Rotten Tomatoes - Classificação: 91%



Notas da Crítica:


«Uma atmosfera de tensão que raramente tira o pé do acelerador» - Rui Pedro Tendinha, Diário de Notícias


«There's plenty to admire about this intelligent and engrossing follow-up.» - Matt Brunson, Creative Loafing


«This sequel continues the distressing viewing experience from the first film where anticipatory noise in itself is unsettling. It's still just as brilliant and clever, making for a satisfying thriller.» - Screen Zealots



Seleção de crítica: por Rui Pedro Tendinha, in Diário de Notícias.


Marighella: resistir e derrubar ideologia de ódio


“Guardar tudo para o começo e iniciar uma sequela com o melhor que o original tinha. O arranque desta segunda parte da saga da família Abbott é em si mesmo a lembrança do quão magistral era o primeiro A Quiet Place (2018), porventura o melhor filme de ficção-científica e terror dos últimos anos saído de um grande estúdio de Hollywood. Agora, tudo começa no exato momento em que a pequena cidade americana é atacada pelos extraterrestres exterminadores. Trata-se de uma sequência em que a coreografia do horror é precisa e sinónimo do mais requintado entretenimento emocional: John Krasinski a filmar uma invasão com um peso dramático ancorado no silêncio e no ruído, afinal as coordenadas fundamentais de uma receita de suspense que já no primeiro iria dar às mais elementares regras do suspense mais puro.


Tal como na primeira parte, todo o filme vive da vitalidade de cada sequência de ameaça e na qual se joga sempre a sobrevivência das personagens, frequentemente com o mesmo dispositivo: não fazer barulho e viver num mundo de confinamento. Logo a seguir aos eventos do primeiro filme, os Abbotts deparam-se agora com a presença do vizinho Emmett (Cillian Murphy, sempre intenso), homem traumatizado pela morte de toda a sua família. Estes sobreviventes acabam por se dividir, enquanto alguns ficam para trás, Reagan (Millicent Simmonds, menina surda-muda) e Emmett, graças à canção de Bob Dylan Beyond the Sea, procuram um sinal de esperança de uma possível comunidade que se refugiou numa ilha - supostamente, as criaturas exterminadoras não sabem nadar.


Já sem o efeito de novidade e com algumas situações de confronto algo recicladas segundo um esquema de franquia, Um Lugar Silencioso 2 está bastante aquém dos abalos do primeiro, mesmo quando respeita escrupulosamente essa ideia de "som e fúria". Ainda assim, atinge-se sempre uma atmosfera de tensão que raramente tira o pé do acelerador. Krasinski consegue um pequeno feito: assustar com o mesmo material. É um truque poderoso e engenhoso, tanto mais que aqui chega a ensaiar muitas vezes a peripécia do medo em simultâneo, ou seja, cenas de suspense em paralelo...”



+Crítica: Magazine-HD, MagSapo-Hugo Gomes, Adoro Cinema, Royale With Cheese, RogerEbert, Sight & Sound, MSBreviews.



05 agosto 2021

Quinta-feira | 21h45 | Cine-Teatro Garrett

Sessão #1537


Marighella - O Guerreiro

Título original: Marighella


De: Wagner Moura

Com: Seu Jorge, Ana Paula Bouzas, Bella Camero, Herson Capri

Género: Drama, Histórico

Classificação: M/14

Outros dados: BRA, 2019, 155 min.



SINOPSE

Esta é a história de Carlos Marighella (1911-1969), ex-deputado comunista, escritor e guerrilheiro, tido como um dos maiores ícones do Brasil pela sua luta pela liberdade. Após o golpe de Estado de 1964, que mergulhou o Brasil numa ditadura militar (que durou até 1985), Marighella liderou um grupo de revolucionários. Mas, em novembro de 1969, por ser considerado “inimigo número um” do regime, foi assassinado por agentes do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), numa ação coordenada pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury. Só em 1996 é que o Ministério da Justiça brasileiro reconheceu a responsabilidade do Estado pela sua morte. A 7 de Março de 2008, foi decidido que Clara Charf, a sua mulher, teria direito a uma pensão vitalícia do Governo. Em 2012, depois da averiguação da Comissão da Verdade, José Eduardo Cardozo, então ministro da Justiça, oficializou a amnistia “post mortem” de Marighella.


Adaptação do livro “Marighella - O Guerrilheiro Que Incendiou o Mundo”, do jornalista Mário Magalhães, conta com realização do ator Wagner Moura (protagonista da série “Narcos” e dos filmes “Carandiru” ou “Tropa de Elite”), que aqui se estreia na realização e que também assina o argumento com Felipe Braga. A dar corpo a Marighella está o cantor e ator Seu Jorge. (Fonte: CineCartaz)



Prémios e Festivais:

Festival de Berlim - Prémio dos Críticos Internacionais Independentes, Giuseppe Becce

Lisbon & Sintra Film Festival - Fora de Competição

CinEuphoria Awards - Melhor Ator Secundário - Bruno Gagliasso 



Notas da Crítica:


«Empolgante, altamente seguro e com elenco fantástico» - Stephen Dalton, The Hollywood Reporter


«Um filme urgente de uma grande intensidade cinematográfica, e que dificilmente poderia ser mais oportuno» - Screen International


«Um empolgante thriller feito de atos heroicos e sacrifícios em busca de um mundo mais justo» - Visão


«Um muro no estômago (...) é um filme nervoso, ágil, que capta o medo e a raiva de ver um país de futuro a ser puxado para o passado, e que tem um trunfo extraordinário no carisma quase místico de Seu Jorge, perfeito no papel» - Público


«Não é um filme de ação, em rigor nem é um filme político, é apenas o retrato caloroso dos últimos anos de um combatente» - Expresso



Seleção de crítica: por João Miranda, in c7nema.


Marighella: resistir e derrubar ideologia de ódio


“É difícil ver esta obra agora, em pleno regime de Bolsonaro, e não pensar que foi feito em reacção a ele, mas, curiosamente, começou a ser feito ainda na altura do impeachment da Dilma, quando os movimentos de direita ainda começavam a organizar-se. Não sendo o primeiro filme sobre Marighella (até Chris Marker fez uma curta sobre ele), este é o primeiro a fazê-lo sob a forma de ficção e o primeiro a ser feito num clima político cuja aversão a ele levou a várias acções organizadas (ainda agora a pontuação no IMDB está nos 3.6 de 10, com alguns milhares de votos) e tem-se visto afetado por vários problemas de distribuição, a ponto de a data de estreia no país de origem já ter sido adiado algumas vezes.


Sendo este um filme político (que procura uma reacção social), não é sobre política (pelo menos, não sobre ideias). Na verdade, também não é sobre a vida de Marighella ou sobre as pessoas à sua volta, e toma várias liberdades artísticas para pintar, mais do que as razões para os seus actos, a resistência a um regime brutal. Ao final de mais de duas horas e meia, parece preocupado em esclarecer alguns mitos sobre a pessoa, mas simplifica outros elementos, não sendo completamente percetível para quem não conheça muito da história. Mas, acima de tudo, Wagner Moura parece querer fazer um filme de ação, com uma câmera handheld nervosa e sequências de atos ousados.


No Brasil atual, com a extrema-direita no poder e a conseguir encontrar ressonância até nas camadas mais pobres da população, este é um filme importante. Mais importante do que estar a tentar debater a razão da luta armada ou se o Comunismo será alcançável pela via democrática, é importante dar um primeiro passo de resistir e derrubar esta ideologia de ódio que alimenta o crescimento da extrema-direita em tantos países. Este filme parece ter esse objectivo e, só por isso, é recomendável.”



+Crítica: Diário de Notícias-entrevista, cinema7arteCinEuphoria, Adorocinema, Público-entrevista, Hollywood Reporter, Screen Daily, Dirty Movies.



29 julho 2021

Quinta-feira | 19h | Cine-Teatro Garrett

Sessão #1536


Raparigas

Título original: Las Niñas


De: Pilar Palomero

Com: Andrea Fandos, Natalia de Molina, Zoe Arnao, Julia Sierra

Género: Drama

Classificação: M/12

Outros dados: ESP, 2020, 97 min.




SINOPSE

Espanha, Primavera de 1992. Celia (Andrea Fandos), estudante num colégio de freiras conhecido pelo seu rigor e conservadorismo, vive com a mãe, que faz o que pode para lhe dar a melhor educação. A adolescente, até aí tranquila, estudiosa e obediente, muda completamente quando conhece Brisa (Zoe Arnao), uma aluna vinda de Barcelona que ali chega cheia de confiança e de ideias diferentes. As duas tornam-se grandes amigas e entram juntas na complexa fase da adolescência, onde o mundo que até aí conheceram se transforma num lugar cheio de desafios.


Um drama sobre a adolescência realizado pela espanhola Pilar Palomero, na sua estreia em realização de longas-metragens. (Fonte: CineCartaz)


«’Venho para me confessar, senhor Padre, porque pequei. – Que pecados haveis cometido, minha filha? – Nem sei.’» - diálogo do filme



Prémios e Festivais:

GOYA 2021: Vencedor dos Prémios do cinema espanhol nas categorias de Melhor Filme, Melhor Primeira Obra, Melhor Argumento Original e Melhor Direção de Fotografia.


Festival de Berlim - Generation Kplus

Festival de San Sebastián - Prémio Dunia Ayaso

Festival de Málaga - Biznaga de Ouro para Melhor Filme Espanhol (Pilar Palomero); Biznaga de Prata para Melhor Fotografia (Daniela Cajías), Prémio Feroz Puerta Oscura para Melhor Filme (Pilar Palomero)

Prémios José María Forqué - Melhor Filme



Rotten Tomatoes - Classificação: 100%


El Confidencial ★★★★★

El Mundo ★★★★

c7nema ★★★★

Público ★★★



Notas da Crítica:


«O Filme Espanhol do Ano.» - Andrea G. Bermejo, Cinemanía


«O espírito da Espanha dos anos 90» - Público


«É soberba em cada detalhe, precisa, com voz própria» - Luis Martinez, El Mundo


«Uma pequena joia que dará muito que falar, não só na temporada de prémios, mas também entre os novos realizadores que verão em ‘Raparigas’ uma referência a seguir.» - Marta Medina, El Confidencial


«The performances from these young actors are terrific when taken separately, but what works best is the dynamic between them. The looks that these girls exchange are so rich that they are little movies in themselves.» - The Hollywood Reporter



Seleção de crítica: por João Lopes, no Cinemax-RTP.


Espanha, corpo e alma


“Face a um objeto tão especial como "Raparigas" — eleito melhor filme espanhol nos prémios Goya referentes a 2020 —, talvez seja inevitável evocarmos algumas referências da produção de Espanha. Desde logo, Luis Buñuel, claro, pelo assombramento erótico, intrinsecamente sexual, de todas as cenas do quotidiano. E também Pedro Almodóvar, pela forma como esse assombramento se refaz em diversos modos de aprendizagem e educação...


Seja como for, vale a pena deixar claro que o trabalho de Pilar Palomero (também argumentista, aqui a estrear-se na realização de longas metragens) não depende de qualquer lógica de "imitação" seja de quem for. À sua maneira, sóbria e singular, "Raparigas" é também um filme sobre uma alma espanhola que, aqui, se exprime, através das personagens jovens que o título identifica.


E quem diz alma, diz corpo. As alunas de um colégio religioso existem, assim, numa encruzilhada: por um lado, são ensinadas a conceber uma existência (feminina) em que o sexo faz parte de uma austera ordem familiar, apresentada como única, indiscutível e redentora; por outro lado, a sua relação com o mundo "lá fora" permite-lhes perceber que nada é tão evidente ou esquemático, até porque vivem um tempo de muitas transformações (começo da década de 1990) que desafia e questiona a sua credulidade.


O mais interessante da estrutura narrativa montada por Palomero é que nada disso surge reduzido a modelos "sociológicos" ou conflitos "morais". "Raparigas" tem mesmo como linha de força fundamental a relação entre uma das alunas, Celia (Andrea Fandos) e a sua mãe (Natalia de Molina), estabelecendo subtis relações dramáticas entre a paisagem educacional e os silêncios do espaço familiar. Em resumo: uma verdadeira revelação.”



+Crítica: Diário de Notícias, c7nema, Público, Cineuropa, Hollywood Reporter, Young Critic Movies, Variety-interview.



22 julho 2021

Quinta-feira | 19h | Cine-Teatro Garrett

Sessão #1535


Caros Camaradas!

Título original: Dorogie Tovarishchi


De: Andrey Konchalovskiy

Com: Yuliya Vysotskaya, Vladislav Komarov, Andrey Gusev

Género: Drama, Histórico

Outros dados: RUS, 2020, 116 min.



SINOPSE

União Soviética, 1962. Membro do Partido Comunista, Lyudmila acredita cegamente que trabalha em prol de uma sociedade justa e igualitária. Mas tudo muda quando, durante uma greve na fábrica de construção de locomotivas em Novocherkassk, testemunha um grupo de trabalhadores a ser assassinado a tiro de metralhadora sob as ordens do governo. O objectivo era encobrir as revoltas populares que surgiam com frequência devido às duras condições de trabalho e ao aumento das quotas de produção mínimas para cada funcionário, que lhes reduzia as remunerações. A partir daquele momento, toda a visão do mundo de Lyudmila se altera irremediavelmente.


Um drama baseado em factos reais que conta com realização, produção e argumento do veterano Andrei Konchalovsky ("O Rolo Compressor e o Violino", "Paraíso”). (Fonte: CineCartaz)


Prémios e Festivais:

Óscares 2021 - Indicação russa para seleção a Melhor Filme Internacional

Festival de Veneza 2020 - Grande Prémio do Júri

Festival de Chicago 2020 - Vencedor do SilverHugo para Melhor Realizador

Lisbon & Estoril Film Festival 2020 - Seleção Oficial



The Guardian ★★★★

Financial Times ★★★★

Time Out ★★★★

RogerEbert ★★★



Notas da Crítica:


«A masterpiece.» - The New Yorker


«Gripping… engrossing… gorgeously shot.» - The Guardian


«Majestic. Epic in Scope.» - Variety


«A passionate drama of fear and rage.» - Time Out


«Pristine, extraordinary... beautiful and coldly furious.» - Jessica Kiang, Variety



Seleção de crítica: por João Lopes, no Cinemax-RTP.


Política, memórias e solidão


“Lyuda, a personagem central de "Caros Camaradas!" (interpretada pela extraordinária Yuliya Vysotskaya) vive numa encruzilhada em que o sentido comunitário se vai transfigurando em desesperada solidão. Por um lado, face à repressão exercida pelas forças do seu próprio partido — o Partido Comunista da URSS —, não pode deixar de sentir um profundo desgosto; por outro lado, numa idealização à beira do delírio, esforça-se por continuar a acreditar naquilo que seria a "pureza" dos seus ideais, ilusoriamente vividos na época de Estaline. 


Dito de outro modo: "Caros Camaradas!" é um filme ágil e subtil que sabe colocar em cena uma dinâmica colectiva sem perder de vista as contradições individuais. Mais concretamente, trata-se de abordar um episódio trágico do comunismo na URSS: em 1962, uma greve dos trabalhadores de uma fábrica de locomotivas, na cidade de Novocherkassk, foi violentamente reprimida pelo exército e elementos do KGB, tendo sido mortas, a tiro, durante uma manifestação, várias dezenas de pessoas.


"Caros Camaradas!" representa, assim, mais um capítulo fundamental do trabalho de Andrei Konchalovsky, ainda e sempre empenhado em revisitar determinadas conjunturas históricas com uma paixão obstinada pelos factos, sem ceder a esquematismos políticos ou panfletários — lembremos o exemplo de um dos seus títulos mais recentes, "Paraíso" (2016), cruzando três histórias de outras tantas personagens durante a Segunda Guerra Mundial.


O exemplo de "Caras Camaradas!" é tanto mais envolvente e perturbante quanto Konchalovsky relança o seu gosto realista, paradoxalmente espelhado pela admirável fotografia a preto e branco, assinada por Andrey Naydenov. Este é um cinema que nasce de um enfrentamento da memória, na certeza de que a sua preservação constitui uma componente ética de qualquer argumentação política.


A esse propósito, lembremos o lugar traumático que o massacre Novocherkassk ocupa na história do regime soviético. As suas repercussões, aliás, o seu silenciamento (já que, na altura, foi "decretada" a proibição de as testemunhas divulgarem o que tinha acontecido) foi tão intenso que a investigação oficial do que tinha ocorrido só teve lugar em 1992, já depois do fim da URSS."



+Crítica: Público, Hoje Vi(vi) Um FilmeCinema7arte, Observador, AC Club, Sight & Sound, Slant Mag, RogerEbert.