03 fevereiro 2022

Quinta-feira | 21h45 | Cine-Teatro Garrett

Sessão #1556


Crónicas de França

do Liberty, Kansas Evening Sun


Título original: The French Dispatch


De: Wes Anderson

ComBill Murray, Léa Seydoux, Timothée Chalamet, etc.

Género: Drama, Comédia

Outros dados: ALE/EUA, 2021, 108 min.



SINOPSE

Tudo acontece na fictícia cidade francesa de Ennui-sur-Blasé, numa época indeterminada do século XX. Arthur Howitzer Jr. funda as "Crónicas de França", um boletim semanal que se torna a voz da sua geração, ao abordar assuntos de variados tipos, desde política internacional, arte ou temas mais humanistas. Quando Howitzer morre repentinamente, seus amigos e colaboradores decidem publicar uma última edição da revista em jeito de homenagem.


O mais recente filme de Wes Anderson é uma homenagem paródica e nostálgica aos editores e jornalistas destemidos e aventurosos de revistas literárias similares a uma The New Yorker, ambientada numa fictícia cidade francesa no século XX. O realizador homenageia o espírito e o tipo específico de “editores de sonho” que davam aos seus escritores e colaboradores uma margem de liberdade que hoje em dia é praticamente uma miragem. 


O elenco é formado por um incontável número de estrelas: Bill Murray, Owen Wilson, Tilda Swinton, Jeffrey Wright, Frances McDormand, Timothée Chalamet, Léa Seydoux, Adrien Brody, Mathieu Amalric, Steve Park, Christoph Waltz, Liev Schreiber, Edward Norton, Saoirse Ronan, Willem Dalfoe,  Anjelica Huston e Elisabeth Moss, entre outros. (Fonte: CineCartaz)


Prémios e Festivais:

Festival de Cannes - Selecção Oficial em Competição



The Times ★★★★★

The Telegraph ★★★★★

The Upcoming ★★★★★


Notas da Crítica:


«Ode ao jornalismo» - Expresso


«It's marvelous from minute to minute.» - FilmWeek


«Brilhante… como uma bicicleta sem travões a passar num bazar apinhado» - Robbie Collin, The Telegraph


«Um dos mais frenéticos de entre as estreias alinhadas para este final de ano. E, para o ser, nem precisa de super-heróis. Glória, aleluia.» - MagazineHD


«Wes Anderson's Whimsical New Masterwork Is A Symphony Of Excess» - SlashFilm


«A homenagem do cineasta americano ao jornalismo, e em particular à revista The New Yorker, surge como um dos objetos de cinema mais esquisitos da sua era. Crónicas de França do Liberty, Kansas Evening Sun é Wes em ponto de rebuçado.» - Diário de Notícias



Seleção de crítica: por Manuel Halpern, na Visão.


Parem as máquinas que Wes Anderson tem um filme novo. "Crónicas de França do Liberty, Kansas Evening Sun" divide-se em três hilariantes histórias contadas a partir de uma newsmagazine imaginária


“Wes Anderson ganhou, com justiça, um estatuto de realizador de culto pela sua imaginação prodigiosa e a capacidade de nos envolver em universos muito próprios. Parece cada vez mais claro que essa sua capacidade parte de uma proximidade ao mundo da BD. Wes Anderson é como um cartoon pensante, digerindo uma linguagem mais próxima da animação que nos é devolvida sob o formato de imagem real. Isso é claro neste Crónicas de França… filme com um título comprido, que se inspira nos pioneiros do jornalismo e nos leva até uma imaginária cidade francesa. O próprio Evening Sun parece decalcado da revista New Yorker, mas os seus conteúdos são mais insólitos.


Anderson começa por criar este ambiente de comics em imagem real, com Bill Murray, sempre bem, como diretor de jornal, para depois, simplesmente, dividir o filme em três histórias. As histórias são uma espécie de best of dos artigos da newsmagazine, cada uma mais caricata do que a outra.


O filme é três vezes hilariante e a cada momento dá asas à imaginação de Anderson. Talvez a par de Um Peixe Fora de Água (2004), em que Bill Murray comanda uma expedição marítima à moda de Cousteau enquanto o marinheiro Seu Jorge interpreta, à viola, versões de Bowie em português, este é já um dos mais cativantes filmes do realizador. A primeira das histórias – de um homicida que se converte em génio da pintura, mas que nem por isso deixa de ser um louco – é, talvez, a mais brilhante. Nunca ouvimos Benicio del Toro rosnar tão bem.


Na segunda, brilha Frances McDormand. A atriz interpreta uma jornalista veterana que se envolve numa luta estudantil, ao estilo do Maio de 68, e acaba por corrigir e melhorar o manifesto. No final, há um policial fora do comum, com Jeffrey Wright e Mathieu Amalric, em que Anderson não resiste a substituir partes da ação por animações. Contas feitas, Crónicas de França… é um brilhante golpe de um realizador inventivo que sai dos parâmetros habituais, mantendo intacto o poder de sedução.”



+Crítica: MagazineHD, Diário de Notícias, Expresso, Sábado, Público, Time Out, cinema7arte, Variety, SlashFilm.



26 janeiro 2022

Quarta-feira | 21h45 | Cine-Teatro Garrett

Sessão #1558


A Metamorfose dos Pássaros

Título original: A Metamorfose dos Pássaros


De: Catarina Vasconcelos

Género: Documentário, Biografia

Classificação: M/12

Outros dados: POR, 2021, 101 min.




SINOPSE

Misturando documentário e ficção, este filme parte da história da família de Catarina Vasconcelos, a realizadora, com especial foco na avó paterna, que nunca chegou a conhecer, e na própria mãe. Nas palavras da realizadora, este é um filme “sobre a mãe do meu pai. A minha mãe. As mães. As mães das mães. As mães das mães das mães. Mas também acerca de um determinado período histórico que eu não tinha vivido: um período tão distinto daquele que vivemos hoje e que temos o dever de não esquecer. É um grande privilégio viver em liberdade”.(Fonte: CineCartaz)



Prémios e Festivais:

Festival de Berlim 2020 - Vencedor do Prémio FIPRESCI

Festival de Taipei 2020 - Vencedor do Prémio Especial do Júri

Festival de Vílnius 2020 - Prémio de Melhor Filme

DokuFest 2020 - Prémio de Melhor Filme

Caminhos do Cinema Português - Melhor Realização, Prémio Revelação e Prémio do Público

IndieLisboa 2020 - Melhor Realização (nacional )e Prémio do Público



Notas da Crítica:


«Uma das maiores surpresas de 2021» - Com. Cultura e Arte


«Um filme muito, mas mesmo muito bonito.» - Observador


«Um filme tremendamente bonito e delicado» - MUBI


«Filme secreto, íntimo, generoso na sua empatia, é um caso invulgar no cinema português.» - Expresso


«Filme-tributo e uma documentação da nossa própria existência.» - Adoro Cinema


«Catarina Vasconcelos consegue unir o experimental ao narrativo com sensibilidade e criatividade sem fim.» - Inês Moreira Santos



Seleção de crítica: por João Lopes, na RTP-Cinemax.


Em "A Metamorfose dos Pássaros", Catarina Vasconcelos revisita as memórias da sua família: o resultado é uma viagem intimista capaz de repensar, de forma envolvente, as relações entre o que se diz e o que é mostrado.


“Eis duas perguntas clássicas que o filme "A Metamorfose dos Pássaros", de Catarina Vasconcelos, nos faz reencontrar e, de alguma maneira, repensar:

1 — como definir a fronteira entre documentário e ficção?

2 — quais as possibilidades de relação (conjugação ou dissonância) entre as imagens e os sons?


Numa primeira resposta, deparamos com o gosto de uma liberdade formal, também ela clássica, mas nem sempre devidamente aproveitada. Aqui, pelo contrário, os resultados são sugestivos e envolventes: este é um filme que parte de um pressuposto documental — construir uma memória da família da própria realizadora — para ir acolhendo as vibrações dramáticas de uma pura ficção.


Depois, somos levados a reconhecer um outro princípio de liberdade formal que, em particular, alguns cineastas das novas vagas dos anos 60 (Godard, Resnais...) aplicaram de modo tão peculiar. A saber: a complementaridade de imagens e sons não resulta obrigatoriamente de qualquer "simultaneidade" informativa. No limite, tal simultaneidade pode resultar da uma calculada estranheza mútua — daí nascem, aliás, os momentos mais genuinamente cinematográficos de "A Metamorfose dos Pássaros", sustentado, em particular, pelo efeito coral das vozes que o habitam.


Como outras experiências da produção portuguesa recente (sobretudo no domínio das curtas-metragens), "A Metamorfose dos Pássaros" é um objecto que corre o risco de ser parasitado por um maneirismo que, em última instância, mesmo involuntariamente, ameaça desvalorizar personagens e situações. Felizmente, esse risco vai sendo superado por um risco maior: tratar a pura intimidade como cenário de um teorema de palavras e silêncios, emoções e afetos.”



+Crítica: c7nema, Hoje Vi(vi) Um Filme, A pala de Walsh, Cinema7arte, Magazine HD, Com.Cultura e Arte, Adoro Cinema, MUBI.



20 janeiro 2022

Quinta-feira | 21h45 | Cine-Teatro Garrett

Sessão #1557


Mães Paralelas

Título original: Madres paralelas


De: Pedro Almodóvar

Com: Penélope Cruz, Rossy de Palma, Aitana Sánchez-Gijón

Género: Drama

Classificação: M/14

Outros dados: ESP, 2021, 120 min.



SINOPSE

Janis e Ana conhecem-se num quarto de uma maternidade, quando estão prestes a dar à luz. Janis, que já passou dos 40, apesar de não ser uma gravidez planeada, encara o momento com alegria. A jovem Ana, pelo contrário, está aterrorizada com o que está prestes a acontecer. Naquele momento tão marcante das suas vidas, elas vão criar um laço profundo que se prolongará pelo tempo.


Estreado no Festival de Cinema de Veneza – onde Penélope Cruz recebeu o Prémio Volpi Cup de melhor atriz –, este melodrama sobre os diversos lados da maternidade foi escrito e realizado pelo multipremiado realizador espanhol Pedro Almodóvar. No elenco, para além de Cruz, estão também as atrizes Milena Smit, Aitana Sánchez-Gijón, Daniela Santiago, Julieta Serrano e Rossy de Palma. (Fonte: CineCartaz)


Prémios e Festivais:

Veneza 2021 - Melhor Atriz - Penelope Cruz

Nomeado para 8 prémios GOYA

Nomeado para 2 Golden Globes (Filme estrangeiro e Banda sonora)



The Guardian ★★★★

Público ★★★★

RogerEbert ★★★★


Metascore = 86



Notas da Crítica:


«Um portento de melodrama classicista depurado.» - Jorge Mourinha, Público


«Penélope Cruz Gives One of the Best Performances of Her Career in Pedro Almodóvar's Parallel Mothers» - Time


«In “Parallel Mothers,” Almodóvar is a master storyteller who looks at single motherhood through a lens of domestic suspense.» - Variety



Seleção de crítica: por João Lopes, na RTP-Cinemax.


“Já muito disseram que ninguém filma Penélope Cruz como Pedro Almodóvar... E creio bem que a afirmação não tem nada de exagerado. Aí está, em todo o caso, mais um belo exemplo da aliança da actriz e do realizador: "Mães Paralelas" prolonga a obsessão de Almodóvar pelo universo da maternidade, ou melhor, a sua capacidade de encenar as mães como portadoras de um sentido oculto, não apenas das relações familiares, mas da própria história colectiva.


À boa maneira de Almodóvar, por aqui perpassa um enigma com o seu quê de policial. As duas mães interpretadas por Penélope Cruz e Milena Smit têm os seus filhos no mesmo dia, de tal modo que, a partir daí, se desenvolve uma epopeia (paralela, precisamente) que se vai enredar com perguntas por responder. E não são perguntas banais — estão directamente ligadas às memórias perturbantes da Guerra Civil em Espanha. 


Os cenários de luz cristalina e cores intensas definem uma espécie de assinatura (melo)dramática de Almodóvar. Em todo o caso, desta vez, tal assinatura não é um objectivo fechado sobre a sua "exibição", antes uma estratégia para expor as ambivalências dos factos narrados — em última instância, este é um filme sobre a dificuldade de receber, organizar e pensar as heranças históricas.


Almodóvar consegue, assim, fazer passar uma ideia forte, por certo essencial em todo o seu universo: o passado não é um objecto fechado sobre si mesmo, muito menos um mero pretexto para a nostalgia, antes uma herança que continua a pontuar a vida do presente — as “mães paralelas” são essas personagens que, através da teia do passado, descobrem um pouco mais do seu próprio presente.”



+Crítica: Público, MagSapo, Cinema7arte, Magazine HD, Hoje Vi(vi) Um Filme, The Guardian, Hollywood Reporter, Time, Variety, RogerEbert.



13 janeiro 2022

Quinta-feira | 21h45 | Cine-Teatro Garrett

Sessão #1556


As Coisas Que Dizemos, As Coisas Que Fazemos

Título original: Les choses qu'on dit, les choses qu'on fait


De: Emmanuel Mouret

Com: Camélia Jordana, Niels Schneider, Vincent Macaigne

Género: Drama, Romance

Classificação: M/12

Outros dados: FRA, 2020, 122 min.




SINOPSE

Daphné e François estão de férias no campo. Quando ele se vê obrigado a regressar a Paris devido a uma questão de trabalho, ela fica a sós com Maxime, um primo que ali está para passar uns dias. Durante quatro dias, enquanto esperam pelo regresso de François, os dois vão tendo longas conversas, dando início a uma intimidade inesperada. 


Com Camélia Jordana, Niels Schneider e Vincent Macaigne nos papéis principais, um drama romântico escrito e realizado por Emmanuel Mouret. (Fonte: CineCartaz)




Prémios e Festivais:

Festival de Cannes - Selecção Oficial em Competição

Césares do Cinema Francês: lidera com 13 NOMEAÇÕES

Lumieres Awards: Melhor Filme, Realizador, Atriz, Argumento, Fotografia


Público ★★★★

La Presse ★★★★

IndieWire ★★★


Tomatometer: 100%


Notas da Crítica:


«Discretamente, um dos pontos altos do ano» - Público


«Lengthy but deliciously calibrated...» - Screen International


«A film that carefully considers emotional tumult and embraces the chaos and fickleness of human intimacy.» - Review Online


«Winsome Exploration of Love Is an Interconnected Romance with a Twist» - IndieWire


«É um conto moral feito de vários contos morais, com as leis do coração à mercê de uma escrita inteligente e imprevisível dentro da sua linguagem clássica com sabedoria moderna.» - Diário de Notícias



Seleção de crítica: por Hugo Gomes, na SapoMag.


Quando a arte de contar uma história é uma arte de amar


“Emmanuel Mouret (‘A Arte de Amar’, ‘Só um Beijo, Por Favor’) não é nenhum achado, o seu cinema sempre esteve lá, nesse estilo 'rohmeriano' de filosofar sentimentos e estruturas relacionais. 


Com isto, o leitor questionará o que de diferente poderemos encontrar neste ‘As Coisas que Dizemos, As Coisas que Fazemos’? Digamos que, no cinema, como também na vida, o prazer das ‘coisas’ encontra-se nos seus detalhes e na sensibilidade com que o autor, com auxílio do espetador, tem com eles. Aqui, Mouret (re)descobre-se a si próprio num filme sobre afetos e sentimentos, ora romantizados, ora intelectualizados, daquilo que achamos ser o 'amor', socialmente encarado como tal.


Para a personagem central (Niels Schneider) deste rol de narrativas e peripécias rotineiras, nunca negando o seu quê de espetacularidade e caricatural, 'amor' é um acidente em cadeia que altera permanentemente a sua posição nos diferentes círculos, sem nunca se resolverem definitivamente. Como tal, as retaliações são possibilidades, assim como o nascimento de novas paixões, consumadas e prometidas numa eternidade inexistente e apenas projetada.


O filme percorre por vias de palavras essas dúvidas supostamente existenciais das personagens, que se vão cruzando e entrelaçando umas com as outras através de relato e discursos. Está feito aqui um universo a merecer ser explorado, de felizes e tristes acasos, e de conflitos discretos, de ênfases dramáticas subtilmente embutidas nos gestos, nas carícias ou nos beijos trocados antevendo despedidas.


Sensibilidade é o que é aqui pedido, porque casos amorosos todos nós vivemos, nem que seja por um dia. Dentro dos tais ditos “‘ilhos de Rohmer’, eis um filme que é, de facto, um pedaço de céu.”



+CríticaDiário de Notícias, Público, c7nema, Gonn1000, Variety, IndieWire, Screen Daily, La Presse.





17 dezembro 2021

SEXTA-FEIRA | 21h45 | Cine-Teatro Garrett

Sessão #1555


Qualquer adulto com bilhete pago (4€ ou Sócio) garante uma entrada grátis para um jovem entre os 6 e os 16 anos (c/ Cartão de Cidadão).


AVISO: Não se esqueçam de trazer o comprovativo de vacinação ou de teste laboratorial negativo, obrigatório para maiores de 12 anos.



O Garoto de Charlot

Título original: The Kid


De: Charles Chaplin

Com: Carl Miller, Charles Chaplin, Edna Purviance, Jackie Coogan

Género: Drama, Comédia

Classificação: M/6

Outros dados: EUA, 1921, Preto e Branco, 68 min.




SINOPSE

Ao sair do hospital com o seu recém-nascido nos braços, uma jovem muito pobre (Edna Purviance) decide deixá-lo dentro de uma limusina estacionada em frente a uma igreja. Esperançosa de que alguém o aceite, deixa uma nota e foge, com intenção de cometer suicídio. Porém, a viatura é roubada por dois homens e, depois de uma série de peripécias, um vagabundo de bom coração (Charlie Chaplin como Charlot, a sua personagem predilecta) não vê outra solução que não seja levar o bebé para casa e cuidar dele.


Realizada por Charlie Chaplin – que se inspira na miséria da sua própria infância –, uma comédia dramática sobre o amor que permanece uma das mais importantes referências cinematográficas de todos os tempos. (Fonte: CineCartaz)



O 100º ANIVERSÁRIO DE UM CLÁSSICO ABSOLUTO

1921-2021


NOVO RESTAURO DIGITAL 4K



Notas da Crítica:


«É o filme perfeito» - Jorge Leitão Ramos, Expresso


«Um filme com um sorriso, e talvez uma lágrima» - 1ª frase promocional do filme



Seleção de crítica: por João Lopes, na Diário de Notícias.


“A cinefilia é, muito simplesmente, o amor do cinema. Um dos seus poderes mais radicais envolve a transfiguração do próprio tempo: um filme amado reaparece sempre como um objeto do nosso presente. Assim, por exemplo, The Kid, o lendário O Garoto de Charlot, um dos símbolos mais universais da obra de Charlie Chaplin (1889-1977): é bem verdade que o vemos e revemos como uma história intemporal de emoções à flor da pele; o certo é que foi há um século que ocorreu a sua estreia, no dia 21 de janeiro de 1921, no Carnegie Hall de Nova Iorque.


A história do vagabundo que acolheu e criou um bebé abandonado pela mãe possui uma vibração dramática que, além do mais, representou um salto decisivo na evolução do próprio Chaplin. A partir de 1914, os seus pequenos filmes burlescos tinham-lhe conferido o estatuto de uma das figuras mais populares, um genuíno pioneiro, do cinema mudo. Mais ainda: depois de The Tramp (1915), a sua figura de vagabundo transformara-se numa personagem de muitos ecos simbólicos (a pobreza perante a riqueza, a compaixão contra a misantropia, etc.), repetida e reinventada em inúmeras curtas-metragens.


Alegria e lágrimas, convém acrescentar, ou não fosse The Kid um modelo exemplar dos valores e das potencialidades da narrativa melodramática. O vaivém da personagem do "garoto", interpretado pelo irresistível Jackie Coogan (1914-1984), com 6 anos na altura da rodagem, integra, de facto, três princípios fundamentais do melodrama: a constituição de um laço afetivo, o seu confronto com a lei (familiar ou social) e, por fim, a possibilidade (ou não) de consolidar a relação original.


Títulos posteriores de Chaplin, como Luzes da Cidade (1931) e Luzes da Ribalta (1952), constituem exemplos modelares dessa filiação melodramática. Isto sem esquecer, claro, que o tema da pobreza é transversal na obra de Chaplin, remetendo para memórias da sua infância em Londres.


Tal como aconteceu com outros dos seus títulos mudos, Chaplin compôs uma banda sonora para The Kid, por ele refeita para a reposição do filme, a 4 de abril de 1972, nas salas dos EUA (numa versão que também remontou, com uma duração ligeiramente inferior à da estreia). Poucos dias depois, a 10 de abril, esteve em Los Angeles, na 44.ª cerimónia dos Óscares, para receber um prémio honorário ‘pelo incalculável efeito que teve na transformação do cinema na arte do século’.”



+Crítica: Expresso, Público, MagazineHD, cinema7arte, Cinegrandiose.



16 dezembro 2021

Quinta-feira | 21h45 | Cine-Teatro Garrett

Sessão #1554


Qualquer adulto com bilhete pago (4€ ou Sócio) garante uma entrada grátis para um jovem entre os 6 e os 16 anos (c/ Cartão de Cidadão).


AVISO: Não se esqueçam de trazer o comprovativo de vacinação ou de teste laboratorial negativo, obrigatório para maiores de 12 anos.



Gunda

Título original: Gunda


De: Viktor Kossakovsky

Género: Documentário

Outros dados: NOR/EUA/GB, 2020, 93 min.





SINOPSE

Este documentário do russo Viktor Kossakovsky foca-se em Gunda, uma porca mãe de vários porquinhos, e no seu dia-a-dia, interagindo com os animais que a rodeiam, como duas vacas e uma galinha só com uma perna. 


Passou em 2020 no Festival de Berlim e teve em Joaquin Phoenix e Paul Thomas Anderson alguns dos seus fãs mais ferrenhos ainda antes da estreia. Phoenix, vegano e ativista dos direitos dos animais, tornou-se inclusivamente produtor executivo. (Fonte: CineCartaz)



Prémios e Festivais:

Nomeado para Melhor Documentário Europeu (European Film Awards 2020)

Vencedor de Melhor Documentário - Festival de Estocolmo e Festival de Sofia

Vencedor de Melhor Fotografia - Festival de Dublin, Amanda Awards



Notas da Crítica:


«Puro cinema» - Paul Thomas Anderson


«Comovente e visualmente deslumbrante» - The Film Stage


«Sublimely beautiful and profoundly moving» - The New York Times


«Um dos grandes filmes do ano é sobre uma porca» - Hugo Gomes, SapoMag



«Gunda is pure cinema. This is a film to take a bath in - it’s stripped to its essential elements, without any interference. It’s what we should all aspire to as filmmakers and audiences - pictures and sound put together to tell a powerful and profound story without rush. It’s jaw dropping images and sound put together with the best ensemble cast and you have something more like a potion than a movie.» - Paul Thomas Anderson


«Gunda is a mesmerizing perspective on sentience within animal species, normally - and perhaps purposely - hidden from our view. Displays of pride and reverence, amusement and bliss at a pig’s inquisitive young; her panic, despair and utter defeat in the face of cruel trickery, are validations of just how similarly all species react and cope with events in our respective lives. Victor Kossakovsky has crafted a visceral meditation on existence that transcends the normal barriers that separate species. It is a film of profound importance and artistry.» - Joaquin Phoenix, Executive Producer




Seleção de crítica: por João Lopes, na RTP-Cinemax.


“É bem provável que o realizador russo Viktor Kosakovskiy ao fazer "Gunda", sobre a vida de uma porca e seus filhotes numa quinta, parece querer sugerir que o destino das respetivas vidas está, apenas e só, nas mãos dos humanos — e tenta fazê-lo sem que esses mesmos humanos entrem nas suas imagens. 


A morte espreita, por certo, de um algures que se pressente, mas "Gunda" opta por apresentar-se como a revelação de um verdadeiro santuário. Como se houvesse uma espécie de suficiência poética no facto de vermos Gunda e os seus leitões a mamar, uma e outra e outra vez, uma galinha de uma só perna a vigiar o espaço em volta ou as vacas a sair de um estábulo em câmara lenta...


Não é fácil, de facto, sustentar um discurso de exaltação da natureza. Kosakovskij tenta contornar essa questão através da afirmação de um realismo, apetece dizer, "natural". Em "Gunda", as rotinas dos animais são apresentadas como restos de um paraíso que nós deixámos de conhecer ou até mesmo de respeitar. 


Seja como for, sublinhemos a curiosa e pouco frequente dimensão especificamente cinematográfica do objeto. A saber: o reconhecimento de que há um tempo dos animais que existe, e resiste, através de uma lógica muito própria que, talvez, hélas!, os humanos já não consigam entender. O que, enfim, confere a "Gunda" uma bizarra sedução: o seu naturalismo atrai qualquer coisa de surreal.”



+Crítica: Insider, MagSapo, Público, MagazineHD, The New York Times, RogerEbert, Slant Mag, Hollywood Reporter, Sought & Sound.