CANCELAMENTO DE SESSÃO AO AR LIVRE

Lamentamos informar que devido à previsão de condições meteorológicas adversas para sábado à noite e dias seguintes, incompatíveis com a realização de uma sessão de cinema ao ar livre, a exibição do documentário “Um Conto de Duas Cidades" no jardim da Casa Manuel Lopes está cancelada.




De: Morag Brennan e Steve Harrison

Portugal/Reino Unido · 2017 · Doc · 85’


SINOPSE:
Um filme sobre a Póvoa de Varzim nas décadas de 1950 e 1960, tendo como protagonistas as pessoas da cidade.

O filme começa com a célebre fotografia tirada pela conceituada realizadora Agnès Varda, recém falecida, na sua passagem pela Póvoa de Varzim nos anos 50. Nessa fotografia com Maria do Alívio aos 16 anos, a andar descalça pela Rua das Lavadeiras, debaixo do icónico cartaz publicitário com a diva Sophia Loren, é o pretexto para contar a história de duas Póvoas muito diferentes: a comunidade piscatória e a realidade brutal de um modo de vida tradicional, e a cidade turística e os indivíduos que a começaram a projetar nacionalmente como um concorrido destino de férias.

O filme oferece essa viagem histórica a um mundo que agora está praticamente esquecido, mas também a uma sociedade portuguesa marcada pelo Salazarismo de má recordação. Para o ditador, a Póvoa de Varzim representava um singular repositório de memórias ligadas à heroica gesta marítima, mas também seria o cenário dramático para o confronto entre a ditadura do Estado Novo e o homem que jurou derrubá-lo, o General Humberto Delgado. Este “Conto de Duas Cidades” é contado através de entrevistas de testemunhas oculares, às vezes hilariantes e outras vezes dolorosas, mas sempre inspiradoras e reveladoras.


Notícia:
Maria do Alívio tinha 16 anos quando foi apanhada pela lente de Agnès Varda a passar sob uma imagem de Sophia Loren. Um casal britânico quis saber a sua história e acabou a realizar um filme sobre a dicotomia entre pescadores e turistas.

Rita Neves Costa, in Público, 30/05/2019

19 setembro 2019

Quinta-feira | 21h45 | Cine-Teatro Garrett
Sessão #1482

Título original: Foxtrot

De: Samuel Maoz
Com: Lior Ashkenazi, Sarah Adler, Yonaton Shiray
Género: Drama
Classificação: M/12
Outros dados: ALE/SUI/FRA/ISR, 2017, 108 min.



SINOPSE
Tel Aviv, Israel. Michael e Daphna recebem a notícia de que o filho, soldado das forças armadas, morreu durante um conflito. As autoridades israelitas recusam-se a dar detalhes do sucedido. Entretanto, vêm a perceber que os oficiais se enganaram. Zangado com o equívoco, Michael exige que as forças armadas façam o filho regressar a casa.

Um filme dramático realizado e escrito por Samuel Maoz ("Líbano") que recebeu o Grande Prémio do Júri (Leão de Prata) no Festival de Cinema de Veneza em 2017 e que foi também vencedor de oito prémios Ophir da Academia de Cinema de Israel – entre eles, o de Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Ator (Lior Ashkenazi) e Melhor Direção de Fotografia (Giora Bejach). (Fonte: Público)



Notas da Crítica:

o absurdo da guerra e a culpa da sobrevivência no que é um dos grandes filmes a estrear em 2019.” -PÚBLICO

“retrato das nuances da identidade israelita que me parece um dos três ou quatro melhores filmes neste ano lançados entre nós.” - João Lopes, in DN

“a Brilliant Portrait of Israeli Frustrations” - IndieWire





12 setembro 2019

Quinta-feira | 21h45 | Cine-Teatro Garrett
Sessão #1481

Título original:  Se rokh / 3 Faces

De: Jafar Panahi
Com: Behnaz Jafari, Jafar Panahi, Marziyeh Rezaei
Género: Drama
Classificação: M/14
Outros dados: Irão, 2018, 100 min.



SINOPSE
Behnaz Jafari, uma actriz iraniana muito popular, recebe um vídeo da jovem Marziyeh, a quem a família proibiu de estudar. O seu maior desejo é entrar no Conservatório de Teatro de Teerão e acha que, uma vez que a família gosta muito dos filmes da actriz, talvez ela os consiga convencer a deixá-la prosseguir os estudos. Comovida por essa história, Jafari contacta o realizador Jafar Panahi, seu amigo. Cúmplices, os dois seguem viagem até à aldeia de Marziyeh. No percurso, vão conhecer vários habitantes daquele lugar remoto, onde a generosidade das gentes se mistura com preconceitos e tradições profundamente enraizados.

Em competição pela Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes – onde recebeu o prémio de melhor argumento –, um drama em estilo "road movie" que conta com assinatura do aclamado realizador iraniano Jafar Panahi ("Fora-de-Jogo", "Isto Não É Um Filme", "Táxi"). (Fonte: Público)


Notas da Crítica:

“a misoginia iraniana vista pelo olhar de três gerações de mulheres” - Insider Film .pt

“quase inacreditável a maneira como Jafar Panahi, em situação de liberdade condicionada (e oficialmente proibido de filmar pelas autoridades do seu país), consegue ainda assim, clandestinamente, rodar novos filmes com regularidade” - PÚBLICO  ★ ★

“explora o feminismo e a forma como as mulheres continuam a ser tratadas no Irão, em especial em regiões mais isoladas. Ao mesmo tempo, traça um retrato do Irão mais "profundo", numa espécie de road movie, por estradas estreias e sinuosas, em que as buzinadelas funcionam como código entre condutores.” - Hoje Vi(vi) um Filme






05 setembro 2019

Quinta-feira | 21h45 | Cine-Teatro Garrett
Sessão #1480

Título original: Once Upon a Time ... in Hollywood

De: Quentin Tarantino
Com: Margot Robbie, James Marsden, Leonardo DiCaprio, Brad Pitt, Dakota Fanning, Tim Roth, Luke Perry, Al Pacino, Kurt Russell
Género: Drama
Classificação: M/16
Outros dados: GB/EUA, 2019, 159 min.



SINOPSE
Los Angeles (EUA). O ano é 1969. Rick Dalton é um ator de "westerns" televisivos que, juntamente com o seu duplo e amigo de longa data Cliff Booth, chega a Hollywood determinado a reavivar a sua carreira. Ali, os seus destinos vão cruzar-se com personagens que marcaram uma época. Entre elas está a jovem Sharon Tate, na altura grávida do cineasta Roman Polanski; e Charles Manson, cujos crimes cometidos por si e pelos seus seguidores chocaram o mundo, mudaram costumes e deram o mote ao fim do movimento "hippie".

Nona longa-metragem assinada por Quentin Tarantino, "Era Uma Vez Em... Hollywood" é uma comédia dramática que conta com um elenco de luxo. Estreado no Festival de Cinema de Cannes, onde foi muito bem recebido pelo público e pela crítica especializada, foi galardoado com o Palm Dog Award (melhor atuação canina num filme).  (Fonte: Público)


Notas da Crítica:

“O novo filme de Tarantino passa-se em Hollywood, há 50 anos, e é tanto sobre a amizade masculina como sobre o amor ao cinema, aos automóveis e à música pop.” - Observador  ★ ★

“Um filme sexy e malévolo, onde o espetador se embrenha e segue o gozo que cada cena lhe dá.” - PÚBLICO 

“grande fábula sobre o fim de uma era – a do flower power e dos easy riders” - À Pala de Walsh




Seleção de Crítica: por João Araújo, in À Pala de Walsh

Não deixa de ser notável que ao nono filme (e a um de uma auto-imposta reforma), Tarantino ainda seja capaz de surpreender. Se os homicídios de Sharon Tate e dos seus amigos são um ponto máximo do terror cénico e a sua recriação uma tentação mórbida, Tarantino finta as expectativas. Ao filmar esse momento que marca o princípio do fim de uma era, volta a percorrer os caminhos quase esquecidos de Pulp Fiction (1994) e especialmente Jackie Brown (1997), numa sentida homenagem cinéfila e repleta de fetichismos. Esta é uma elegia imersiva em relação a uma cidade e um tempo desaparecido, que Tarantino, nascido em 1963, aprendeu a conhecer apenas através dos filmes, na adolescência. É um filme surpreendente pelo desprimorar de uma narrativa orquestrada em direção a uma conclusão, para ceder antes espaço e tempo à criação de um ambiente nostálgico e melancólico. Isso é patente nas diversas sequências à deriva e despreocupadas com uma função narrativa (como nas melhores cenas do filme, com a personagem de Brad Pitt simplesmente a conduzir), algo recentemente raro em Tarantino, igualado também pela forma como são abandonados aqueles monólogos grandiosos, outra das marcas tão típicas da sua obra.

É notável também pela forma enternecedora e enternecido como retrata as suas personagens principais, reminiscente do olhar em Jackie Brown. Depois das personagens como peões de uma peça moralista e de violência estilizada, casos de Django Unchained, Hateful Eight (Os Oito Odiados, 2015) e Kill Bill, este é também um regresso a personagens complexas, que deixam de ser os tais peões para se tornarem antes mais humanas e vulneráveis. Cliff, o duplo, é talvez a mais memorável personagem de Tarantino desde Shosanna de Inglorious Basterds. Não é que as personagens não deixem de ser caricaturas, mas estamos a falar afinal de Hollywood (note-se a ironia do pleonasmo do título, não fosse Hollywood um sítio faz-de-conta), onde as aparências são mais importantes, e Tarantino parece reconhecer isso de duas formas: a forma como Sharon Tate surge no filme, figura angelical, luz que ilumina o filme e afasta as trevas, que como mito desaparecido antes do seu tempo fica mais na memória pela sua imagem do que pelas suas palavras; e a relação desigual entre o duplo de Pitt e o actor de DiCaprio: este paranóico e neurótico, com uma ridícula necessidade de aceitação e alheado em relação ao que se passa ao seu lado, como imagem de um mundo de fantasia, e o duplo que, apesar de tudo, parece ancorado numa realidade diferente. Mesmo as raparigas do culto Manson não são apresentadas como figuras simples, mas percebe-se que o interesse de Tarantino é em retratar uma masculinidade em desuso, nesta dupla obsoleta que é também espelho da mudança de um paradigma em Hollywood, da velha geração para a nova.

O filme, que durante bastante tempo parece investido numa aproximação fiel à realidade (um duplo foi mesmo assassinado no rancho, por exemplo) e na recriação histórica de uma época, volta a surpreender na sua conclusão. O que fica é o gesto de fazer um filme para salvar Sharon Tate, como reflexo da capacidade do cinema de corrigir a realidade. Que o faça ao mesmo tempo que constrói uma memória imaginada, isto é, fantasiada e tingida pela cinéfilia de Tarantino do que teria sido essa época, é algo de comovente e extraordinário.