Souleymane é um jovem guineense que trabalha como estafeta da Uber em Paris enquanto se prepara para um dos momentos mais importantes da sua vida: a entrevista que possibilitará obter o estatuto de imigrante e que lhe abrirá caminho para concretizar os seus sonhos. Mas ter tempo e equilíbrio mental para tentar a legalização, enquanto gasta quase todas as horas do dia a trabalhar ou em busca de uma vaga para dormir num qualquer centro de apoio a sem-abrigo, revela-se tremendamente difícil.
Um drama realista realizado pelo francês Boris Lojkine, também responsável por “Hope” (2014) e “Camille” (2019), que escreve o argumento a quatro mãos com Delphine Agut. Pela sua interpretação neste filme, o estreante Abou Sangar recebeu o prémio de melhor actor na secção “Un Certain Regard" do Festival de Cannes. PÚBLICO
Com acção ambientada em 1985, numa pequena vila irlandesa onde a população se habituou a seguir as regras estritas da Igreja Católica, esta é a história de Bill Furlong, um vendedor de carvão honesto e muito pobre, que se esforça por alimentar a mulher e as cinco filhas. Durante a semana perto do Natal, numa entrega de carvão, Bill faz uma descoberta chocante: uma jovem grávida aprisionada num barracão que, vem mais tarde a descobrir, é mais uma vítima das punições impostas pela abadessa de um convento. Dominado por um conflito interior que o faz regressar às dolorosas memórias da própria infância, quando vivia aos cuidados de uma mãe solteira, ele tem de decidir se continua a agir como se nada se tivesse passado ou se arrisca a pouca estabilidade da sua vida lutando pelo que está certo.
Com produção de Ben Affleck, Matt Damon, Cillian Murphy e Alan Moloney, este drama teve a sua estreia no Festival de Berlim e é realizado por Tim Mielants. O argumento, da autoria de Enda Walsh, tem por base o “best-seller” de Claire Keegan, finalista do Booker Prize de 2022.
“Pequenas Coisas como Estas” é dedicado às mulheres vítimas das Lavandarias de Maria Madalena, uma rede de instituições geridas por ordens religiosas, com financiamento do Estado e activas até ao final da década de 1980, onde milhares de mães solteiras, órfãs ou que eram simplesmente vistas como namoradeiras foram ali depositadas para expiar os seus pecados e sujeitas a trabalho escravo, violência física e psicológica. Com Cillian Murphy no papel principal, conta ainda com Eileen Walsh, Michelle Fairley, Emily Watson, Clare Dunne e Helen Behan. PÚBLICO
A acção tem início no Rio de Janeiro, durante a década de 1970, quando o Brasil vivia o auge da repressão através das políticas do general Emílio Garrastazu Médici (1905-1985), 28.º Presidente do Brasil e terceiro do período da ditadura militar. Neste contexto, seguimos Eunice Paiva (Fernanda Torres) na sua busca pelo marido, Rubens Paiva (Selton Mello), um deputado progressista levado pelos militares, em Janeiro de 1971, e dado como desaparecido pelas autoridades. Forçada a criar sozinha os cinco filhos de ambos, Eunice inicia uma longa luta para provar o assassinato de Ruben e o de tantos outros brasileiros que tiveram a coragem de se insurgir contra as injustiças de um regime implacável com todos os dissidentes.
Com realização de Walter Salles ("Terra Estrangeira", "Central do Brasil", "Diários de Che Guevara", "Pela Estrada Fora"), este drama biográfico foi escrito por Murilo Hauser e Heitor Lorega. O argumento parte da biografia homónima escrita por Marcelo Rubens Beyrodt Paiva, filho de Rubens Paiva (1929-1971), uma das vítimas dos 21 anos de ditadura militar instaurada no Brasil desde Abril de 1964 até Março de 1985.
Com a interpretação de Eunice, Fernanda Torres tornou-se a primeira actriz brasileira a ganhar um Globo de Ouro – depois de, 25 anos antes, a sua mãe, Fernanda Montenegro (que aqui interpreta a mesma personagem na velhice, já com sinais da doença de Alzheimer), ter sido nomeada com o filme "Central do Brasil", também realizado por Salles e vencedor na categoria de melhor filme estrangeiro. Na edição dos Óscares de 2025 "Ainda Estou Aqui ganhou na categoria de melhor filme internacional, fazendo história na cinematografia brasileira." PÚBLICO
Com: Guy Pearce, Adrien Brody, Joe Alwyn, Felicity Jones
Género: Drama
Classificação: M/16
Produção: GB, HUN, EUA
Duração: 215 min
Sinopse:
László Tóth (Adrien Brody, vencedor do Óscar de melhor actor por este papel), um arquitecto de origem judia sobrevivente do Holocausto, emigra para os EUA em 1947 para escapar à pobreza de uma Europa que se tenta levantar depois da destruição causada pela Segunda Grande Guerra. Para trás, devido a burocracias e algum infortúnio, ficam Erzsébet (Felicity Jones), a sua mulher, e Zsófia, a sobrinha órfã que ficou a cargo de ambos.
Decidido a singrar e a encontrar um modo de trazer a família para junto dele, László fixa-se em Filadélfia, onde fica a trabalhar com Attila, um primo, numa empresa de mobiliário. Algum tempo depois, são chamados para renovar a biblioteca de Harrison Lee Van Buren (Guy Pearce), um industrial rico que, num momento de raiva, os despede sem pagamento. Anos mais tarde, Harrison volta para saldar a dívida, explicando a László que o seu trabalho foi muito elogiado e que o quer contratar para construir um centro comunitário em honra da falecida mãe. Para o compensar, ajuda-o com a documentação necessária para trazer a mulher e a sobrinha para junto dele. O projecto, demorado mas muito inovador e ambicioso, transforma-se num sucesso, mudando radicalmente as vidas de László e de Erzsébet, sem, contudo, lhes trazer a felicidade ou a paz que tanto ambicionavam.
Com realização de Brady Corbet (A Infância de Um Líder, Vox Lux), que co-escreveu o argumento com a também realizadora Mona Fastvold, sua companheira, um drama histórico sobre a reconstituição da América dos anos 1940, com três horas e meia de duração e 15 minutos de intervalo pelo meio. Para além de Brody, Jones e Pearce nos papéis principais, o filme conta ainda com as actuações de Joe Alwyn, Raffey Cassidy, Stacy Martin, Emma Laird, Isaach De Bankolé e Alessandro Nivola.
Leão de Prata e Prémio Fipresci (pela crítica internacional) na 81.ª edição do Festival de Cinema de Veneza, foi considerado um dos dez melhores filmes de 2024 pelo American Film Institute e teve sete nomeações para os Globos de Ouro, vencendo nas categorias de melhor filme dramático, actor (Brody) e realizador. PÚBLICO
Uma coisa que se ouve dizer a propósito de Mariana Alcoforado em "O Que Podem as Palavras": toda a mulher que ousa pensar por si própria e levantar a voz, mais tarde ou mais cedo, vira bruxa. Parafraseamos, claro; mas, nas vozes e nas palavras de Maria Isabel Barreno (1939-2016), Maria Teresa Horta (n. 1937) e Maria Velho da Costa (1938-2020), nas suas "Novas Cartas Portuguesas" (1972) e nas conversas com a saudosa Ana Luísa Amaral (1956-2022) que estão na base do filme de Luísa Sequeira e Luísa Marinho, é da agência e da decisão das mulheres que se trata, da manifestação – através da linguagem que era o único caminho que a sociedade lhes deixava aberto – da sua existência enquanto seres de corpo inteiro e livres das algemas que os outros (isto é, os homens) lhes entendiam colocar. PÚBLICO
Três mulheres a viver em Bombaim: Prabha (Kani Kusruti), enfermeira-chefe de um grande hospital, recebe em casa uma panela eléctrica que parece ter sido enviada pelo marido, emigrado na Alemanha, de quem há muito não tinha notícias; Anu (Divya Prabha), colega de trabalho e de quarto de Prabha, não aceita a ideia de um casamento arranjado e está apaixonada por Shiaz (Hridhu Haroon), um jovem muçulmano, com quem anseia encontrar-se a sós; já Parvaty (Chhaya Kadam), cozinheira no mesmo hospital, enfrenta a possibilidade de perder a casa onde vive e decide regressar à pequena cidade onde nasceu.
Através do dia-a-dia de cada uma delas, o espectador assiste à luta das classes trabalhadoras (especialmente mulheres) na maior cidade da Índia, onde a vida é difícil e o progresso choca muitas vezes com a tradição.
Primeiro filme indiano a receber o Grande Prémio em Cannes (e o primeiro em 30 anos a competir pela pela Palma de Ouro), um drama com assinatura da indiana Payal Kapadia, que aqui se estreia na realização em longa-metragem de ficção, depois do documentário “Noite Incerta” – que, em 2021, lhe valeu o Prémio Oeil d’Or na Quinzena dos Realizadores, em Cannes, e o de Melhor Filme no Lisbon Film Festival (LEFFEST). PÚBLICO
Com: Rodolfo Areias, Paulina Almeida, Carlos André, Miguel Borges, Pedro Bernardino
Género: Drama
Classificação: M/14
Produção: POR
Duração: 101 min
Sinopse:
Rodrigo Areias, que tem vindo a construir uma obra regular à volta de Guimarães, a sua terra natal, atira-se a Raul Brandão (1867-1930), adaptando A Morte do Palhaço, misturado com outras obras do escritor que viveu e trabalhou também em Guimarães. A intenção original era fazer um documentário sobre o escritor, jornalista e militar.
Filmado na Ria de Aveiro, centra-se numa casa de hóspedes na Vila Húmus. Conta, no elenco, com Nuno Preto, João Pedro Vaz, Miguel Moreira, Gustavo Sumpta, Paula Só, António Durão, Vítor Correia ou Miguel Borges. A música é de outro vimaranense: Dada Garbeck.
Urso de Ouro da 74.ª Berlinale, este é um ensaio documental de 68 minutos sobre a restituição de obras de arte subtraídas às colónias africanas por parte dos museus dos países colonizadores.
Em Novembro de 2021, a cineasta franco-senegalesa Mati Diop ("Atlantique") acompanhou o processo de restituição de 26 obras de arte (em 7000) ao Benin por parte de França, enviadas do Museu du Quai Branly - Jacques Chirac, intercalando pelo meio uma "voz off" inventada do rei Ghézo, retratado num dos bustos devolvidos, saindo de uma “longa noite eterna” no espaço museológico francês para regressar a um país onde a cultura só tem existência em língua francesa. A realizadora propõe uma meditação sobre o que significam a pertença e a cultura, sem nunca esquecer que este povo colonizado pelos franceses foi também ele próprio colonizador de outras nações, e que o debate sobre a restituição destas obras ainda agora começou devido a todas as questões que levanta sobre a relação entre ex-colónias e ex-colonos, sobre o que é preciso fazer para garantir a perpetuação de uma história adormecida, esquecida ou apagada. PÚBLICO
Com: Josiane Balasko, Pierre Lottin, Hélène Vincent, Ludivine Sagnier
Género: Drama
Classificação: M/12
Produção: FRA
Duração: 102 min
Sinopse:
Michelle é reformada e vive numa pequena aldeia da Borgonha, em França. Os seus dias são passados a cuidar da casa, da horta e a conviver com as amigas mais próximas, entre elas Marie-Claude, que conhece desde a juventude. Agora, mal pode esperar pela visita de Valérie, a filha, que ali vai deixar o seu neto Lucas a passar uns dias. Mas quando Valérie tem uma intoxicação alimentar devido aos cogumelos que a mãe cozinhou, as dificuldades de entendimento entre ambas, que sempre foram enormes, agudizam-se. Isso vai desencadear uma tragédia que irá pôr a descoberto segredos há muito guardados.
Com: Sharif Andoura, Marie Drucker, Guillaume Canet, Alba Rohrwacher
Género: Drama
Classificação: M/12
Produção: FRA
Duração: 115 min
Sinopse:
Alice e Mathieu tiveram uma relação intensa que terminou abruptamente. Hoje, 15 anos volvidos sobre a separação, ele é um actor conhecido actualmente a viver em Paris; ela dá aulas de piano numa pequena cidade balnear no Oeste de França. O destino volta a juntá-los quando Mathieu, a atravessar uma crise emocional, decide passar algum tempo na cidade onde ela mora. Esse reencontro inesperado vai fazê-los reflectir sobre tudo o que viveram, as feridas que causaram um ao outro, as saudades do que foram e as circunstâncias que os levaram àquele exacto momento.
Estreado na 80. ª edição do Festival de Cinema de Veneza e com Guillaume Canet e Alba Rohrwacher como protagonistas, um drama romântico realizado e escrito por Stéphane Brizé – autor da trilogia A Lei do Mercado (2015), Em Guerra (2018) e Um Outro Mundo (2021) –, que também se responsabiliza pelo argumento, em colaboração com Marie Drucker. [PÚBLICO]